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Saúde Mental
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Preciso me afastar do trabalho por saúde mental: e agora?

Guia prático sobre afastamento do trabalho por saúde mental: quando é necessário, como funciona pelo INSS, seus direitos e como cuidar de si durante o processo.

Foto de Gabriel Guimarães Hass

Gabriel Guimarães Hass

Psicólogo Clínico - CRP Ativo

27 de abril de 2026
9 min
Capa: Preciso me afastar do trabalho por saúde mental: e agora?
Leitura: 9 min
Nível: Intermediário

Se você está lendo este artigo, é possível que esteja vivenciando algo que muitas pessoas enfrentam em silêncio: a sensação de que continuar trabalhando está prejudicando sua saúde, e a dúvida sobre o que fazer a respeito.

A decisão de se afastar do trabalho por saúde mental é uma das mais difíceis que alguém pode tomar. Envolve medo do julgamento, preocupação financeira, incerteza sobre o futuro e, frequentemente, uma culpa pesada. Mas quando o corpo e a mente sinalizam que o limite foi ultrapassado, ignorar esses sinais pode ter consequências muito mais graves do que o afastamento em si.

Em 2025, o Brasil registrou mais de 546 mil afastamentos por transtornos mentais, segundo levantamento da Associação Nacional de Medicina do Trabalho (ANAMT) com dados oficiais do INSS, um crescimento de 134% em dois anos. Você não está sozinho nessa situação, e existem caminhos legais e de cuidado que podem ajudar.

Quando o afastamento se torna necessário

Nem toda dificuldade no trabalho justifica um afastamento. Mas quando os sinais ultrapassam o limite do que é manejável com estratégias do dia a dia, o afastamento pode ser não apenas justificado, mas necessário para preservar sua saúde.

Considere que o afastamento pode ser necessário quando:

  • Você não consegue mais executar suas tarefas básicas por causa de sintomas emocionais ou cognitivos
  • O trabalho se tornou fonte de crises de ansiedade, pânico ou choro incontrolável
  • Sintomas físicos persistentes (insônia severa, dores crônicas, problemas gastrointestinais) estão relacionados ao trabalho
  • Você vivencia pensamentos de desesperança, desamparo ou ideação suicida
  • Um profissional de saúde mental recomendou o afastamento
  • O burnout chegou a estágios avançados (9-12 na escala de Freudenberger)

É fundamental entender que se afastar não é desistir. É reconhecer que sua saúde é prioridade e que, sem ela, nenhuma carreira se sustenta.

Como funciona o afastamento por saúde mental no Brasil

O processo de afastamento por questões de saúde mental segue um caminho que, embora burocrático, é um direito garantido pela legislação trabalhista brasileira.

Atestado médico (até 15 dias)

O primeiro passo é buscar um profissional de saúde, psiquiatra ou médico clínico, que pode emitir um atestado médico. Para afastamentos de até 15 dias, a responsabilidade pelo pagamento do salário é do empregador. Nesse período:

  • O empregado recebe normalmente seu salário
  • O atestado deve ser entregue ao setor de RH ou medicina do trabalho da empresa
  • Não é necessário detalhar o diagnóstico, o CID (código da doença) no atestado é suficiente
  • O empregado não pode ser demitido durante o período do atestado

Auxílio por incapacidade temporária (antigo auxílio-doença)

Se o afastamento ultrapassar 15 dias, o trabalhador com carteira assinada pode solicitar o auxílio por incapacidade temporária do INSS. O processo envolve:

  1. Agendar perícia médica: pelo aplicativo Meu INSS, site gov.br/meuinss ou ligando para 135
  2. Reunir documentação: atestados médicos, laudos, exames, relatórios de acompanhamento psicológico ou psiquiátrico
  3. Passar pela perícia: um médico perito do INSS avaliará se a incapacidade para o trabalho está comprovada
  4. Receber o benefício: se aprovado, o valor corresponde a 91% do salário de benefício

Requisitos para o benefício

Para ter direito ao auxílio por incapacidade temporária, é necessário:

  • Ter qualidade de segurado (estar contribuindo ou em período de graça)
  • Ter cumprido carência mínima de 12 contribuições (com exceções para doenças graves)
  • Comprovar incapacidade para o trabalho mediante perícia médica

Estabilidade após o afastamento

Quando o afastamento por doença ocupacional (relacionada ao trabalho) é reconhecido pelo INSS, o trabalhador tem direito a 12 meses de estabilidade após o retorno, ou seja, não pode ser demitido sem justa causa nesse período.

O que você precisa saber sobre seus direitos

Muitas pessoas desconhecem seus direitos em relação ao afastamento por saúde mental. Alguns pontos fundamentais:

  • Sigilo: o empregador não tem direito de saber o diagnóstico específico, apenas que há uma condição que justifica o afastamento
  • Não discriminação: a legislação proíbe demissão discriminatória por condição de saúde mental (Súmula 443 do TST)
  • FGTS: durante o afastamento pelo INSS, o empregador deve continuar recolhendo o FGTS se a doença for ocupacional
  • Plano de saúde: deve ser mantido durante o período de afastamento
  • Retorno gradual: você pode solicitar retorno progressivo, com carga horária reduzida, mediante acordo com a empresa e orientação médica

O processo emocional do afastamento

Além das questões práticas, o afastamento por saúde mental envolve um processo emocional intenso que merece atenção:

A culpa

"Eu deveria aguentar." "Tem gente em situação pior." "Estou deixando minha equipe na mão." Essas frases são extremamente comuns, e extremamente injustas consigo mesmo. A culpa pelo afastamento frequentemente é mais um sintoma do esgotamento, não uma avaliação racional da situação.

O medo do estigma

O receio de ser visto como "fraco" ou "incapaz" é real e compreensível. Infelizmente, o estigma em torno da saúde mental ainda existe em muitos ambientes de trabalho. Mas é importante lembrar: o afastamento é um direito legal, não um favor. Você não precisa da aprovação moral de ninguém para cuidar da sua saúde.

O alívio e a estranheza

Muitas pessoas relatam uma mistura de alívio ("finalmente posso parar") e estranheza ("e agora, o que eu faço?"). Acostumadas a um ritmo frenético, o silêncio do afastamento pode inicialmente parecer desconfortável. Isso é normal e tende a se resolver com o tempo e o acompanhamento adequado.

O que fazer durante o afastamento

O período de afastamento não é férias, é um tempo de recuperação que exige cuidados específicos:

  • Manter o acompanhamento profissional: psicoterapia e, se indicado, acompanhamento psiquiátrico são fundamentais durante esse período
  • Não se isolar completamente: manter contato com pessoas de confiança, mesmo que em pequenas doses
  • Estabelecer uma rotina mínima: horários de sono, alimentação e atividades restauradoras ajudam na recuperação
  • Evitar decisões radicais: o período de afastamento não é o momento ideal para decidir sobre demissão, mudança de carreira ou grandes mudanças de vida
  • Respeitar seu ritmo: a recuperação não é linear, haverá dias melhores e dias piores

Como a Gestalt-terapia pode ajudar nesse processo

A Gestalt-terapia oferece um espaço essencial para quem está em processo de afastamento, porque trabalha justamente com o que esse momento mobiliza: a relação da pessoa consigo mesma, com o trabalho e com suas necessidades reais.

O processo psicoterapêutico pode ajudar a:

  • Elaborar a culpa e a vergonha que frequentemente acompanham o afastamento
  • Restaurar a awareness (consciência plena): reconectar-se com sensações e necessidades que foram silenciadas durante meses ou anos de sobrecarga
  • Preparar o retorno: quando chegar o momento, trabalhar as ansiedades relacionadas à volta e construir estratégias para que o retorno seja sustentável
  • Ressignificar a experiência: compreender o afastamento não como fracasso, mas como parte de um processo de cuidado e autoconhecimento

Psicoterapia online na Figura & Fundo

Na Figura & Fundo, compreendemos a complexidade emocional que envolve o afastamento por saúde mental. A psicoterapia online é especialmente adequada para esse momento, permite acessar o cuidado sem a pressão de deslocamentos em um período em que até sair de casa pode ser difícil.

A psicoterapia online demonstra eficácia equivalente à presencial para a maioria das condições psicológicas (Carlbring et al., 2018). Trabalhamos com valores fixos e transparentes.

Se a psicoterapia particular não é acessível no momento, existem alternativas gratuitas: CAPS (Centros de Atenção Psicossocial), UBS com atendimento psicológico e clínicas-escola de universidades. Em situações de crise, o CVV (188) oferece apoio emocional 24 horas.

Você tem o direito de se cuidar

Se você chegou ao ponto de considerar o afastamento, isso não é sinal de que você falhou. É sinal de que você está ouvindo algo que muitas pessoas ignoram até ser tarde demais. O afastamento pode ser o início de uma recuperação que transforma não apenas sua relação com o trabalho, mas a forma como você cuida de si mesmo.

Cada pessoa responde de forma única ao processo de recuperação. Mas o primeiro passo, reconhecer que sua saúde importa mais do que qualquer meta, prazo ou expectativa é, para muitos, o mais transformador.

Se você sente que chegou o momento de buscar ajuda, entre em contato com a equipe da Figura & Fundo. Vamos conversar sobre os próximos passos — com acolhimento e sem julgamento.

Perguntas frequentes

Como funciona o afastamento por saúde mental pelo INSS? Até 15 dias, o empregador paga o salário com atestado médico. Acima disso, solicita-se auxílio por incapacidade temporária do INSS mediante agendamento de perícia pelo app Meu INSS ou pelo 135.

Meu empregador pode saber meu diagnóstico? Não. O empregador não tem direito de saber o diagnóstico específico, apenas que há uma condição que justifica o afastamento. O sigilo é garantido por lei.

Posso ser demitido por me afastar por saúde mental? Se reconhecido como doença ocupacional pelo INSS, o trabalhador tem 12 meses de estabilidade após o retorno. A demissão discriminatória por condição de saúde é proibida (Súmula 443 do TST).

O que fazer durante o período de afastamento? Manter acompanhamento psicológico e/ou psiquiátrico, estabelecer rotina mínima, não se isolar completamente e evitar decisões radicais. O período é para recuperação, não para resolver a vida inteira.

Referências


Este artigo tem caráter informativo e educacional. As informações apresentadas não substituem avaliação profissional individualizada nem orientação jurídica. Para questões específicas sobre seus direitos trabalhistas, consulte um advogado especializado. Se você apresenta sintomas descritos, procure um psicólogo ou psiquiatra para avaliação adequada.

Última atualização:27 de abril de 2026
Foto de Gabriel Guimarães Hass

Gabriel Guimarães Hass

Psicólogo Clínico - CRP Ativo

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Especializado em Gestalt-terapia, oferece atendimento humanizado e personalizado para adultos e idosos.

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